Como cuidar da saúde bucal em tempos de coronavírus

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drshohmelian / Pixabay

A pandemia mundial de Covid-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mudou a rotina dos brasileiros, que agora devem evitar aglomerações e redobrar a higiene pessoal. Nesse contexto, é importante enfatizar que as pessoas devem estar ainda mais atentas à higiene bucal.

Primeiro, porque é fundamental para manter a saúde geral. E segundo, de acordo com as diretrizes técnicas do Ministério da Saúde e das agências estaduais de vigilância para esse momento de isolamento social, o atendimento odontológico deve ser procurado apenas em caso de urgência ou emergência.

Ciente da gravidade do cenário, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) reuniu recomendações sobre medidas preventivas e proteção da saúde bucal em tempos de intensa propagação do novo coronavírus.

Antes de tudo, não podemos negligenciar a higiene bucal diária, essencial para prevenir o aparecimento de cárie, gengivite e mau hálito, além de problemas mais sérios. A higiene deve ser feita com uma escova de cerdas macias e creme dental com flúor, e a limpeza entre os dentes requer fio dental – se houver indicação do dentista, ela pode ser complementada com o uso de enxaguatório bucal. Lembre-se de que a escovação deve ser feita ao acordar, após as refeições e antes de dormir.

Cuidados especiais durante a pandemia de coronavírus

Uma das formas de contágio do novo coronavírus é a disseminação de gotículas de saliva. Portanto, se alguém na casa apresentar sintomas ou suspeitar da infecção, o uso de creme dental, sabão e toalha de rosto deve ser individualizado. Nesse sentido, também é indicado não deixar os pincéis no mesmo ambiente.

Antes de realizar a higiene bucal, é importante lavar sempre as mãos até o meio do pulso e entre os dedos, por pelo menos 20 segundos. Não faz mal ao estresse: lavar as mãos com frequência é uma das principais medidas para conter o vírus.

Outro conselho é evitar colocar a mão sobre a boca. Estudos recentes mostram que o causador do Covid-19 pode sobreviver por até três dias em superfícies como plástico e aço. Nossas mãos estão em contato constante com vários materiais que podem estar contaminados. Tocar nessas superfícies e levar as mãos à boca, nariz ou olhos aumenta o risco de contrair o vírus. Em casa, certifique-se de dobrar a limpeza de superfícies e objetos pessoais.

Veja também: Coronavírus: novos dados sobre grupos de risco

 

Consultas ao dentista

Diante da pandemia, as agências de vigilância sanitária e de saúde do país recomendam visitar o consultório odontológico apenas em casos de emergência ou urgência. As visitas ao dentista para procedimentos eletivos devem ser adiadas como precaução.

É importante destacar que os consultórios odontológicos seguem rigorosamente as medidas de biossegurança, a fim de restringir os riscos de infecção à população e aos profissionais de saúde bucal.

Vários protocolos já foram adotados com sólidas evidências científicas que nos permitem tratar pacientes com várias patologias, como AIDS, hepatite e outras situações clínicas, em nossos consultórios.

O adiamento dos procedimentos eletivos só foi adotado em caráter emergencial, dada a expansão do Covid-19.

Durante a pandemia, tratamentos com propósitos estéticos, procedimentos ortodônticos que não envolvam trauma, restauração de dentes assintomáticos, além de cirurgias eletivas para extração dentária ou controle de periodontite, devem ser suspensos e retomados somente após recomendação do profissional.

Casos de emergência odontológica, que ainda estão em vigor, são aqueles que expõem o paciente a um risco potencial de morte, como sangramento descontrolado e trauma envolvendo os ossos da face, com vias aéreas comprometidas. O dentista deve estar à disposição para atuar nesses contextos.

Como em casos urgentes, aqueles que, embora não ofereçam risco iminente à vida, devem ser resolvidos imediatamente. Exemplos: dor de dente aguda, abscessos dentais ou periodontais que causam dor localizada, fratura do dente com trauma no tecido mole oral, tratamento odontológico antes do procedimento médico e cavidades ou restaurações extensas com problemas que causam muita dor.

Se o seu caso se encaixa em uma das situações listadas acima, entre em contato com seu dentista com antecedência para avaliar a necessidade de atendimento odontológico e informe se nos últimos 14 dias você experimentou algum sintoma como febre, coriza, tosse, dor de garganta e falta de ar. respiração. Após o contato, o profissional saberá conduzir o caso e orientá-lo sobre o melhor curso de ação.

Como fica o consultório odontológico

Clínicas e consultórios devem seguir estritamente as regras de biossegurança para impedir a propagação do novo coronavírus. Em casos de emergência ou atendimento de urgência, o profissional deve seguir as medidas preventivas abaixo:

● Isolamento respiratório com o uso de máscaras cirúrgicas N95;
● Uso de avental, touca e luvas descartáveis, bem como óculos de proteção, que deve ser higienizado após cada atendimento. O emprego dos equipamentos de proteção individual deve ser priorizado;
● Higiene frequente das mãos, principalmente antes e depois de cada atendimento;
● Desinfecção de todos os ambientes de trabalho após cada paciente, pois o vírus pode ser transportado em forma de aerossol e sobreviver nas superfícies por mais de nove dias;
● Cuidados redobrados com o manuseio de modelos e moldes para efetiva desinfecção;
● Evitar cumprimentos como beijos ou apertos de mão;
● Seguir rigorosamente todos os procedimentos do manuseio para limpeza e esterilização dos instrumentos.

Os profissionais de odontologia também devem ser vacinados contra a gripe e fazem parte do grupo prioritário da primeira fase da campanha nacional do Ministério da Saúde. Além disso, eles podem orientar seus pacientes com mais de 60 anos a tomar o imunizador – o que não impede o coronavírus, mas previne outra infecção respiratória grave.

Como toda a população, os profissionais de saúde bucal também enfrentam esses tempos difíceis. E Crosp salienta que as diretrizes aqui reunidas são transitórias e podem ser modificadas diante do controle de pandemia. Mas a chave é reforçar que, quanto mais aderirmos às medidas de prevenção e contenção, mais rápido passaremos pelo Covid-19.

* Dr. Marco Antonio Manfredini é cirurgião-dentista, doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e tesoureiro do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp)